E cinco meses se passaram…

Era uma vez uma menina que cresceu. Cresceu mas não parou de sonhar. Enquanto as dúvidas foram dando espaço para – cada vez mais – certezas, os medos se abriam para a realização. Aqui, agora, nessa vida. Enquanto há tempo.

Essa menina, que sempre amou escrever e, por isso, já mulher, virou jornalista, achou que não seria pouco se dar ao prazer de viver outro país. Inquietação antiga… sonho sendo deixado lá pra trás, até que ela de uma vez por todas assimilou que o tempo não volta. Nesse ponto um novo sonho começou. O sonho Au Pair. Coisa de adolescente? Não. Coisa de quem tem um propósito firme e não abre mão dele, mesmo que para isso tenha que sacrificar algumas coisas. Um sonho que, enfim, era acessível e perfeitamente viável!

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No dia 06 de julho de 2010, em meados dos meus 26 anos – o limite para participar desse programa – cheguei nos Estados Unidos, mais especificamente em Nova Iorque. Consegui vir parar exatamente onde eu queria. Para quem não sabe, Au Pair é uma palavra francesa que significa igualdade, pois teoricamente viramos parte da família, e não apenas a babá que cuida das crianças.

Cinco meses depois, ainda mais sendo época de Natal e fim de ano, aquele balanço básico se faz necessário. Sim, algumas verdades quebradas e aquela boa dose de construção… Gostaria de falar primeiro que, quando decidimos morar fora, cada um tem um propósito. E a nossa felicidade nesse país vai depender do quanto praticamos esse objetivo, ou do quanto o moldamos, por conta das experiências. Tem gente que vem pra viajar. Outros, pra estudar, seja Inglês ou qualquer coisa. Necessidade de conhecer outra cultura, de fugir, de aprender, ver… pessoas que estão “looking for something”. Conheci gente que veio também para casar, ou para viver o “american dream of life”. E aquela necessidade de diversão, de liberdade, de extravasar? Pois é.

No meu caso acho que foi um pouco de tudo isso – menos do casar, pois isso eu vou fazer no Brasil, rs. E preciso admitir que também nunca tive esse American Dream of Life, pois sempre quis mesmo era ir pra Europa ou pra Austrália, mas enfim, por “n” motivos vim parar aqui e me apaixonei! Mas, a essa altura da minha vida, posso afirmar que vim por motivos predominantemente profissionais. Inglês fluente faz parte dele, mas não só. Estudar e fazer o que for possível para crescer profissionalmente. Em tempo: Eu trabalhava (e era muito feliz) na AS3 Editora, que publica a Revista Trifatto e a POP3, em Piracicaba, interior de São Paulo, e pedi demissão, com dor no coração mas confiante. Também fazia freelas (a maldição do jornalista) para outros meios de comunicação, e estes, com muita boa vontade, continuo fazendo daqui. Só por isso já acho que minha vinda para cá foi a melhor coisa que eu fiz da minha vida. Digo muita boa vontade pois trabalho 45 horas por semana cuidando de 3 crianças de 4, 6 e 9 anos (leia-se muuuito trabalho!), alguns finais de semana também, estudo à noite e ainda preciso arrumar tempo para fazer amizades, conhecer culturas, lugares, situações, viajar, ler, sair, me divertir, estudar mais e mais, falar com família e amigos no Brasil, assistir filmes, jantar com a família americana, fazer outras “prezas” com eles, comprar, escrever, fotografar, comer, cuidar de mim e… ufa! Quem é Au Pair sabe o quanto conciliar todos os afazeres do dia a dia é difícil. E como é!!!

Mas a gente consegue, viu!!???

Nessas horas passamos a dar ainda mais valor ao tempo. O lado pessoal aqui faz a gente pirar às vezes e rapaz, como é importante estarmos bem! Morar no seu local de trabalho não é, como toda Au Pair sabe bem, nada fácil e lidar com outras culturas, ao mesmo tempo em que é fascinante, é bem complicado.

Nesses 5 meses tive altos e baixos, mas, graças a Deus, muito mais altos do que baixos. Considero essa experiência positivíssima e aconselho do fundo do meu coração que todos venham, mas venham preparados, focados, abertos, sem medo de ser feliz. Nesse tempo eu…

SENTI …

– Amor pela minha família americana, sentimento de pertencer a eles, momentos felizes / Raiva, vontade de sumir, sentimento de estar sendo usada e de ser apenas uma babá;

– Estresse com meus hosts por causa de schedule, onde reaprendi (sempre!) o valor de uma boa conversa – e por isso eu aconselho a todos que estão vindo conversarem muito bem antes sobre tudo, para depois não sentirem que estão sendo injustiçados;

– Gratidão pelos meus hosts por me ouvirem, por serem flexíveis com horários, por terem se mostrado humanos!

– Saco cheio da criançada / saudade deles!

– Um calor da Bahia de mais de 40 graus / um frio do cão, de – 3 graus;

– Muita vontade de ir embora / Vontade de nunca mais ir embora;

– Que nasci para morar aqui pra sempre / Que nasci brasileira e sou Brasil até o fim hehehe;

– Amor e estranhamento pela cultura americana;

– Aceitação a outras formas de pensar e viver / Decepção com outras formas de pensar e viver;

– Amizades / Solidão;

– Saudade / Indiferença;

APRENDI …

– Que esse estereótipo de americano gordo que come bacon e ovos no café da manhã definitivamente não se encaixa para a região que eu vivo aqui em Nova Iorque. Aqui é todo mundo light;

– A comer um cupcake ao invés de uma coxinha ou um pão de queijo no posto de conveniência;

– A não colocar nem uma meia sequer na secadora, após lavar as roupas, se não quiser que meus pertences encolham;

– Que estar homesick é normal, e, como todos dizem, passa;

– Que muitas vezes temos que fazer as coisas sozinhas, se não quisermos deixar de fazer o que queremos;

– Mas que uma (boa, e não qualquer) companhia é importante e nos ajuda a seguir em frente felizes;

– A ter mais paciência do que eu poderia imaginar que tivesse;

– A respirar fundo, contar até 3 e focar nos meus objetivos;

– Que tem pessoas que, apesar de estarem fazendo um intercâmbio cultural, preferem se fechar nos seus conceitos e visões. Outras, se abrem para o novo, para o diferente, e estas sim vivem, aprendem, crescem e amadurecem!

CONHECI…

– Au Pairs e viajantes de tudo quanto é país – México, Alemanha, Israel, França, Itália, Canadá, China, Tailândia, Austrália, Egito, Japão, Peru, Argentina, Bolívia, etc, etc, etc…

– Pessoas especialíssimas, interessantes / Pessoas falsas, pequenas;

– Boston, Cape Cod, Long Island, New Jersey, New York, San Francisco, Niagara Falls, Philadelphia, sim, just em 5 meses;

– O limite para aceitar pessoas com princípios diferentes;

– Baladas, pubs, museus, eventos, parques e mais parques, folhas caindo e mudando de cor;

– Os melhores outlets, lojas e ruas para compras;

– Restaurantes brasileiros, americanos, mexicanos e chineses;

– E, nesse meu aniversário de 5 meses conheci uma coisa que me acompanhará por meses… Neve! Sim, acordei hoje e estavam caindo flocos e flocos de neve pela janela, a coisa mais linda! Emocionante… Minha primeira vez, sim senhor. Posso falar que era um sonho, vamos ver até quando vou curtir.

E é isso aí, de pouco em pouco a vida aqui vai tomando forma… O negócio é correr atrás sem perder tempo, mas sem deixar de viver e aprender. Sinto que foram 5 meses bem vividos, mas que ainda preciso de muito mais para conseguir colocar tudo o que quero em prática. Em janeiro vou realizar mais um sonho, esse de infância, que é a Disney, rsrsrs. E em fevereiro terei minha primeira semana de férias, já comecei a pesquisar.

Desculpe, se é que alguém leu até aqui, pelo post grande. Ainda não contei nada, rsrs, tem muito assunto pra manga, quem vive ou já viveu em outro país sabe bem…

Que Deus abençoe a todos!

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8 comentários

  1. Chega uma hora que nem a data importa mais, mas sim as vontades, os desafios, o quanto nos permitimos aprender nessa experiência. Com um mês, ou 24 meses, tudo o que temos pra dizer é: nós conseguimos! Curti Gabi. Beijão!

    • O duro deve ser quando vai chegando perto do fim e nós sabermos que temos tão pouco tempo pra colocar essas vontades em prática e vencer esses desafios… Muito obrigada Mah, super beijo pra vc!

  2. Olha Gabi, so foram 5 meses. Cada dia `e um dia vivido e vencido. Vc `e uma batalhadora e acredite em min cada ponto positivo que vc acha, ate mesmo naqueles negativos servira no seu futuro proximo. Forca e vontade `e tudo que vc prescisa, e isso so depende de vc mesma. O inverno aqui `e melancolico, bonito so da primeira vez mas o positivo dele `e que podemos viajar longe, longe, basta fixar o seu olhar num ponto branco dessa neve que vai cair e fazer o vazio… ninguem pode segurar o nossa imaginacao… abracosss ….

  3. Ah Gabi, quase chorei com seu post, foi passando um filme na minha cabeca. To indo embora amanha. Pena q nao deu para gente se ver, mas faco das suas as minhas palavras e somente quem eh au pair para entender td q passamos aqui. Que voce continue curtindo todos os seus momentos aqui e que Deus continue abencoando! Sua energia positiva e contagiante, a gente pega so de ler seus textos. Um super beijo!!! A gente se fala!

    • Mona, é impressionante como o tempo voa!! Quando eu vim minha porioridade era te ver, e continuou sendo até hoje. No entanto 5 meses depois ainda náo conseguimos conciliar nossos schedules e vc esta indo.. Só isso me deixa realmente triste. Olha, desejo boa sorte a você nesse retorno, sei que aproveitou tudo o que tinha direito por aqui. Brasil te espera agora amiga! Beijo enorme, boa viagem e muito, muito obrigada pelas palavras!

  4. Bela retrospectiva! Você escreve muito bem.

    Vou acompanhar o seu blog sempre, gostei demais.

    Um abraço.
    Stéphanie

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