O Sol ainda brilha para as raves de NY

Há 20 anos Nova Iorque era palco de um borbulho audiovisual completamente novo aos olhos e ouvidos do mundo. As festas disco do Paradise Garage agora davam espaço às batidas vindas de Chicago, Detroit, do Bronx, mais profundas e digamos, sujas –  diretamente do gueto, House, Techno, Deep House, Electro instalavam-se nas warehouses da cidade que recebeu as primeiras raves dos Estados Unidos, influenciadas pelo comportamento europeu. Desde que Frankie Bones trouxe para a Big Apple (mais especificamente ao Brooklyn) as primeiras Storms – raves produzidas a partir da sua experiência com uma grande festa na Europa em 1989 -, a cultura rave norte-americana se instalou no circuito underground e permaneceu ativa por alguns anos até ser atacada pelas autoridades e praticamente desaparecer do país, especialmente de Nova Iorque.

Poucos núcleos continuaram a organizar festas “privates” e esporádicas, bem restritas e ainda mais underground; mas hoje, após um tempo sombrio para os bpms, a cena volta a dar o ar da graça ainda mais forte, mostrando vontade de crescer. Com a música eletrônica querendo dominar o coraçãozinho dos norte-americanos de uma vez por todas, as raves também começam a ser mais frequentes. E, este ano, mais especificamente em 25 de Julho, aconteceu uma com um significado bem histórico para a cidade. A S.U.N, numa warehouse do Brooklyn.

Essa festa é nada mais nada menos que o retorno das Storms (por isso o slogan: Depois da tempestade, o sol sempre brilha!). E é também o primeiro evento estilo warehouse no Brooklyn, em que todo o time da velha guarda dos tempos áureos das raves da costa leste de NYC (Dennis the Menace, Fredstrong, Frankie Bones, Adam X, Heather Heart, Eddy Van Raven) trabalharam juntos desde a última Storm em 1992.

A atmosfera da festa foi de muita saudação, principalmente ao techno, house e hard techno, por todos aqueles que construíram a cena na cidade e aqueles que também estão levando o movimento para a próxima geração. Foi a realização de um sonho e o início de uma nova era. Ouça a introdução do set de Bones na S.U.N., com Portia Surreal e Lenny Dee, aqui: http://www.mixcrate.com/mix/60863/FRANKIE-BONES-DREAMWORLD.

Conversei com o Dennis (the Menace), que conta um pouco mais sobre a história deste coletivo que promete fazer outras festas abertas daqui pra frente:

COMO FOI A DECISÃO DE TRAZER DE VOLTA ESTA RAVE PARA A CIDADE?

Uma vez por ano nós realizamos um evento não lucrativo chamado ReUnion, que em cinco anos cresceu de 200 para mais de 600 pessoas. Ainda assim continua sendo um evento private, só para convidados que possuem um cartão de membro. Muitas pessoas que não podem entrar começaram a pedir a nós que fizéssemos um evento público. Então decidimos que a melhor maneira de fazer isso seria produzindo a S.U.N., uma festa warehouse em celebração aos 20 anos de STORM rave no coração do Brooklyn, onde tudo começou! Essa festa era para ter acontecido há 17 anos, após o fim da última STORM sob a representação da Storm’s Underground Nation. Finalmente saiu!

É MUITO RARO OUVIR TECHNO EM NY, ESPECIALMENTE HARD TECHNO, GÊNEROS QUE VOCÊS TRABALHAM COM SUCESSO. POR QUE ISSO ACONTECE?

No início da década de 90 nós chamávamos todas as músicas eletrônicas de Techno. Logo a influência holandesa trouxe ao Techno o estigma de Hardcore e muitos que não puderam manuseá-lo foram forçados a entrar na House Music. Ou você gostava de House ou de Hardcore e infelizmente o verdadeiro Techno perdeu seu lugar. Esta foi a primeira divisão do Techno que eu consigo me lembrar. Isso foi antes de muitos gêneros, como o Drum and Bass e o Dub Step surgirem. Com tantas divisões na música eletrônica, hoje o Techno é um em um milhão, mas agora está voltando em NYC com suas raízes underground. Se você souber procurar você ainda acha Hardcore para os mais novos e um Techno mais conceitual para um público mas velho e experiente.

E A MÚSICA ELETRÔNICA DE UM MODO GERAL ESTÁ CRESCENDO NOS EUA. O QUE ESTÁ MUDANDO?

Sim, está crescendo muito rápido aqui nos Estados Unidos e sendo incorporada em nossa cultura de uma maneira que nunca imaginamos. Jogos de vídeo-game, desenhos animados, comerciais, programas de TV e filmes têm hoje alguma forma de música eletrônica. Cantores e bandas estão se apropriando das batidas eletrônicas, muitas vezes remixando seus próprios hits para uma exposição adequada e moderna. Músicos como Girl Talk e Bassnectar estão dominando tanto essa mistura de ritmos e sons que faz a música eletrônica ser aceita por todos e não só pelo underground.

E AGORA QUAIS SÃO SEUS PRÓXIMOS PROJETOS?

Estamos tentando organizar outra grande festa warehouse, mas não temos a confirmação ainda. Nosso evento anual ReUnion vai acontecer numa sexta, 25 de Novembro deste ano. Como sempre, será entrada franca mas só para convidados. O line up é mantido secreto como nos últimos anos, mas é uma noite garantida de talentos especialíssimos. Vejo vocês na pista dos próximos eventos!

Link para o coletivo: www.suncollective.com

Facebook: www.facebook.com/suncollective

 

 

 

* Matéria publicada originalmente na minha coluna da www.housemag.com.br

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2 comentários

  1. olaaa! sou uma frequentadora de raves e estou indo pra ny em julho.. vc sabe de algum evento que acontece por lá esse mes?! obrigada! =)

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