Jamie Jones e Lee Foss falam da tour no Brasil

coln_69 Jamie e Lee Foss

 

* Coluna publicada originalmente no site da House Mag em 20 de janeiro de 2012.

Hot Natured é hot – não só no nome. É quente na cena, traz música nova, fresh beats, a qualidade e experiência do Inglês Jamie Jones com o americano de Chicago Lee Foss que, em 2011, tiveram um ano produtivo de conquistas e consolidações. Tanto que, entre outros reconhecimentos, obtiveram excelentes colocações no último ranking do Resident Advisor. Jamie, o primeiro lugar, e Lee, na 18 posição, passaram por Nova York no último fim de semana, na minha festa preferida em Manhattan: a Verboten, que pela última vez aconteceu na Good Units, um clube underground embaixo do Hudson Hotel.

Despediu-se da sua venue preferida em grande estilo, e os astros do Hot Natured conversaram comigo pouco antes de explodir a pista, para contar como anda a expectativa para as gigs no Brasil, para onde embarcaram na sequência. Jamie se apresenta no Creamfields Brasil dia 21, esse sábado (pra quem ainda não comprou, há ingressos do terceiro lote para todas as áreas aqui). E no dia 19 de fevereiro Lee junta-se a ele para uma gig quentíssima no Warung Beach Club. Simpáticos e muito bem humorados, contaram-me sobre o Brasil, sobre artistas que admiram, da Hot Creations, o novo album, da amizade… num bate papo super descontraído minutos antes de dominarem a atmosfera da festa. Confira:

Primeiro gostaria que vocês falassem um pouco do Hot Creations, celo que em menos de um ano já começou a flertar com nomes quentes do techno e house mundial. Que conceitos vocês trazem que não encontramos em outras gravadoras, tais como Crosstown ou Wolf+Lamb?

Jamie Jones – A gente tenta quebrar as barreiras da música, do techno ao disco, à boa house music. A cena é um ciclo, passa por várias jornadas e eu vejo hoje todo mundo aberto, de olho em tudo e nós temos o privilégio de poder suprir isso, eu acho.

Lee Foss – Eu não sei se existe algo que efetivamente não exista em outras gravadoras, mas talvez algo que nos separa, que é bem nosso, é o tratamento personalizado. Qualquer produto que sai de nós, vem com o nosso melhor. Asseguramos que todas as faixas sejam realmente especiais, para o artista se agarrar na sua idéia e ir em frente. Acreditar. Queremos que venha com um conceito junto, que conte uma história. A música é eterna, sem fim e as pessoas precisam descobrir os significados…

Como começou o Hot Natured? E, já que os dois possuem personalidade forte tocando sozinhos, qual é a diferença do duo?

Jamie – Nos conhecemos em Ibiza, em 2001. Começamos a sair juntos lá e mais tarde em Miami, no Winter Music Conference, há 6 anos. Depois de uma semana ouvindo a todos os tipos de techno e house music, nos demos conta de que tínhamos o mesmo gosto, de que gostávamos também de disco e funk e pensamos que seria legal se fizéssemos uma festa no fim do evento, com nossos amigos e música que não fosse só techno e house daqueles que estávamos ouvindo a semana toda.

Lee – Lembro da gente dizendo que não importava se houvesse apenas 50 pessoas, somente nossos amigos, desde que ouvíssemos a boas melodias e clássicos.

Jamie – Então alugamos um club e fizemos. Foram umas 150 pessoas! A maioria amigos, da indústria de dance music. Clive Henry estava lá, acho que era seu aniversário. Depois disso fomos trabalhar junto em estúdio, fazer música até vir o Hot Creators, quando percebemos que tínhamos novos artistas fazendo música muito boa. E, para assegurar que todas as faixas sejam significativas, jamais deixamos passar algo que pensamos: ah ta isso está ok… olhamos para as necessidades de cada um.

E quando vocês estão produzindo, pensam mais no passado, presente ou futuro?

Jamie – Futuro.

Lee – Jamie esta sempre à frente, com os olhos no futuro. Ele se move muito rápido, é fresh. Já eu tenho partes no passado e presente também, tenho uma maneira diferente de olhar para uma soundtrack, para o que funciona, o que é popular ou intemporal.

Vocês estão entre os artistas mais importantes da atualidade, produzindo e conduzindo a cena para um outro nível. Em quais outros artistas devemos prestar atenção e qual o pessoal da old school que mais os influencia?

Jamie – Alguém que está sendo uma das maiores influencias pra mim, que eu passei a prestar muita atenção no último ano por estar produzindo música muito boa é o Green Velvet, Cajmere. Ele é ótimo! Agora old school pra mim é o Kerri Chandler. Acredita que ainda hoje eu descubro produções dele sensacionais, novas, antigas… e olha que eu passo muito tempo procurando música! Ele realmente tem um acervo muito vasto. Da nova geração tem muitos artistas do nosso label, como o Robert James. Outros que ainda não lançaram album, mas estão fazendo um som maravilhoso com faixas atuais e frescas, como o Tom Ruijg, de Amsterdam.

Tem alguém do Brasil que vocês prestam atenção?

Jamie – Tem um cara e uma garota de Belo Horizonte que formam o Digitaria. Ela canta e suas músicas são ótimas. Desse mesmo grupo de BH eu destaco Funky Fat, muito legal.

Agora falem da tour brasileira! Quais são as expectativas? Vocês tem noção do quanto são esperados?

Lee – Olha, eu acho que tanto eu quanto o Jamie sabemos da importância dessas gigs no Brasil. Muitas pessoas estão interessadas e será um grande mercado para nós.

Jamie – Eu vejo o entusiasmo das pessoas. Estive no Brasil umas 3 vezes e as pessoas são muito educadas musicalmente. É um país lindo ainda por cima, com muitos clubes focados num som mais deep.

Lee – Só pra você ter uma idéia de como nós sabemos da empolgação das pessoas quanto às nossas criações, e como damos valor a isso, estamos off grande parte dessa estação, focando na produção do álbum do Hot Natured, das 6 semanas que pegamos para fazer tour na América, 3 serão no Brasil.

E como estão os preparativos do novo álbum? Jamie, sei que você sempre teve vontade de ter uma banda. Vai realizar?

Jamie – É isso exatamente o que estamos fazendo agora. Hot Natured álbum vai ser lançado no meio do ano.

Lee – E nós vamos fazer tour como uma banda. É super bacana essa transição da arte de fazer música para a arte de contar histórias. Escrevemos letra de música e tudo, junto com a vocalista que é fantástica e super profissional

Jamie – continuamos fazendo techno. Mas experimentamos pra valer nesse novo trabalho.

 Gabriela Loschi é jornalista e atualmente reside em Nova York, de onde escreve esta coluna e administra o Deep in NY. No Twitter: @gabilsouza

Foto: Sb Mark. No twitter: @djsbmark

 

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